sábado, 11 de abril de 2015

O TEMPO



   Da minha perspectiva - e também da perspectiva dos níveis superiores do teu próprio ser - o tempo, tal
como o conheces, muito simplesmente, não existe!

   Eu, e os níveis superiores do teu próprio ser, participamos plenamente no presente, passado e futuro
deste planeta, simultaneamente. Sou consciente, com uma certeza semelhante à que tu tens em relação à
tua actual encarnação, de que algumas fracções da minha energia estão encarnadas em muitos sítios da
história da Terra. Deve-se isto a que não estou constrangido por um cérebro linear, mas utilizo o conheci-
mento directo. Esta é a grande diferença entre nós.

   O cérebro humano opera de forma sequencial, com um tempo finito, necessário para processar qual-
quer informação sensorial. Sem desdenhar da sua assombrosa estrutura, o cérebro e o sistema nervoso são
lentos. Quando queimas um dedo, tira-lo do lume ou sacodes a brasa; entre o contacto inicial e o acto de
soltar a brasa pode decorrer até um segundo; outros projectos mais complexos, porém, tal como desenhar
uma casa ou um sistema por computador, podem ocupar-te durante meses, ou anos, devido ao tempo
necessário para processar os pensamentos no cérebro.

   Alguns projetos são tão extensos que não podem ser concluídos no lapso de uma só vida do participan-
te; assim foi criado o conceito da história! Alguém que nasça hoje deve ser informado do que ocorreu no
planeta até à data, ou, pelo menos, de algumas partes seleccionadas do que se passou. Algumas pessoas
passam toda uma vida registando as ocorrências e contando-as aos outros; tudo isto porque as ligações do
cérebro demoram uns quantos milisegundos a ocorrer.

   Os níveis não físicos do teu ser não possuem esta limitação. Através do conhecimento direto da ener-
gia que compõe os acontecimentos, a esses níveis ou a mim não nos custa nada fazer a conexão com qual-
quer ponto do passado ou do futuro do teu planeta.

   Sugiro que tentes visualizar como se sente isto: imagina que vibras na frequência mais elevada do teu
próprio estado de consciência e que estás a olhar para baixo. Então vês várias pessoas, cada uma das quais
está num momento distinto da história. Então, através da simples intenção, podes misturar-te com qual-

quer delas ou com todas, simultaneamente. Dado que tu és elas, podes converter-te nelas e conhecer
cada faceta do que estão a pensar e a sentir!

   Um exemplo: imaginemos que és, simultaneamente, um especialista em cristais da Atlântida, um sol-
dado romano, um camponês medieval e, claro, o «tu» desta encarnação. Tenta sentir como cada uma
dessas funções percebe o tempo, como o percebes tu desde o momento em que estás, e como interagem
todos, entre si.

Mas, atenção: tudo foi cuidadosamente planeado, desde o início, para que assim fosse!
   Todavia, não tinha que ser, exclusivamente, desta maneira; com outras espécies, em outros sistemas
de realidade isto é feito de forma muito diferente.

   A tua espécie, em particular – a um alto nível do ESPÍRITO – tomou a decisão colectiva de criar a sen-
sação da passagem do tempo e, assim, beneficiar de várias ferramentas de aprendizagem!
   Uma delas - o karma ou a Lei do Equilíbrio – baseia-se no conceito de que se a pessoa X afecta, de
alguma forma, a vida da pessoa Y, então, como efeito disso, deve haver uma reciprocidade. Logo, Y deve-
rá afectar a vida de X da mesma forma, ou forma similar e, assim, criar um equilíbrio energético.

   Bom, simplifiquei bastante, pois existem muitas excepções a esta reciprocidade. Seja como for, da
perspectiva de X e de Y, no plano físico, X tem de actuar primeiro e só depois actuará Y.

   Vejamos: De facto, era necessário ter algum marco de referência para que as coisas não ocorressem ao
mesmo tempo. Se não fosse assim, X e Y seriam incapazes de destrinçar qual deles era a causa e qual
deles era o efeito. Para resolver este problema, vocês conceberam a percepção do tempo linear para fun-
cionar como marco de referência. Bom, de facto, não tiveram que criar nada de novo; limitaram-se a per-
der a capacidade de experimentar o tempo simultâneo! E a matriz do cérebro, que a espécie escolheu
para o corpo do ser humano, respeita perfeitamente essa característica.

   É claro que, de uma perspectiva mais elevada, as ações de X e de Y ocorrem simultaneamente, pelo
que o intercâmbio energético de ajuste depende, somente, da coreografia dos níveis não físicos de X e de
Y.

    Alonguei-me na explicação do ponto do tempo simultâneo porque isto explica a razão pela qual a ener-
gia disponível para criar é ilimitada: a mesma unidade de energia pode estar facilmente em inumeráveis
pontos da linha do tempo físico, mediante a simples declaração da sua intenção. A mesma unidade de
energia pode conformar, simultaneamente o gorro do cortador de cristais da Atlântida, a espada do roma-
no e o cavalo do camponês. Considerando a natureza brincalhona da energia, essa unidade de energia vai
divertir-se imenso com a ironia envolvida no processo!

    Estou a falar da tua percepção em relação ao tempo, não na sua divisão arbitrária em unidades, tais
como horas, minutos e segundos. Este tipo de divisão resulta, apenas, do tamanho da vara de medição.
Agora: o tempo do relógio parece-te muito real porque está baseado, aparentemente, no movimento do
planeta à volta do sol. Ora, não existe nenhuma razão real para organizares as tuas actividades de acordo
com a luz e a obscuridade. Muito simplesmente, isso é conveniente... tal como é conveniente ter o plane-
ta a girar à volta do sol, equilibrando as forças centrípetas e centrífugas.

    Por «percepção em relação ao tempo» quero dizer que tu és capaz de perceber a «duração» de um
acontecimento, quero dizer que percebes uma ocorrência, depois outra, depois outra ainda. Mas, se
pudesses experimentar todos os acontecimentos de uma só vez, o tempo não seria uma obstrução senso-
rial ou uma limitação.

   Imagina um enorme tapete feito de fios verticais e horizontais: cada fio vertical é um ponto percebido
do «agora»; os fios horizontais representam o espaço. Os fios diagonais coloridos que formam o desenho
do tapete, são os acontecimentos da tua vida, ocorrendo no tempo (vertical) e no espaço (horizontal).
Agora, imagina um pequeno insecto deslocando-se sobre o tapete:
   - se ele se deslocar ao longo de um fio horizontal (espaço), terá de passar por cima de imensos fios ver-
ticais, ou seja, experimentará pontos do «agora» sucessivamente... mas fica preso num único sítio físico,
porque os fios horizontais representam o espaço.

   Ocasionalmente, ao tropeçar com um fio colorido, experimenta um pedacinho da tua vida;

   - se subir ao longo de um fio vertical (tempo), terá de passar por cima de imensos fios horizontais, ou
seja, experimentará pontos sucessivos do espaço... mas fica preso num único momento do tempo, no pon-
to do «agora». Por outras palavras, experimentará tudo o que sucede através do espaço... num único mo-
mento. Assim, como está num determinado ponto do tempo, verá «fotografias» do que sucedeu em muitos
pontos do planeta nesse determinado instante... incluindo o que se passou na tua vida.


    Obviamente, se o nosso insecto se tornasse inteligente e decidisse seguir ao longo de um dos milhões
de fios diagonais coloridos... experimentaria a vida inteira de uma pessoa.
    Ora, do vantajoso ponto de vista «exterior» tu podes ver o tapete completo: o tempo, o espaço e a
tecitura das vidas das pessoas; e, se assim o desejares, podes deixar-te cair sobre qualquer ponto da tra-
ma e experimentar as suas vidas com elas.

    Ficarias, no entanto, muito ocupado, porque rapidamente te darias conta de que existem milhões de
tapetes pendurados ao lado deste, prolongando-se até ao infinito... além de que os fios coloridos passam
de um tapete para outro, entretecendo-se em três dimensões – os tais universos paralelos de que já ouvis-
te falar!

    Mas a coisa não fica por aqui: se quiseres, ainda podes ver, embora indistintamente, uns «tapetes eté-
ricos» resplandecendo perto das suas versões físicas, isto é, os tapetes que correspondem aos planos supe-
riores!

    Será que existe alguém observando-te, tal como tu observaste o insecto à medida que ele se movia no
tapete, com a cabecinha olhando para baixo, seguindo diligentemente um pequeno fio?