sábado, 11 de abril de 2015

ORIGEM DAS ESPÉCIES


   Já tinha dito antes - e esta é, provavelmente, a declaração mais importante deste livro - que o ESPÍRI-
TO é a vossa verdadeira natureza. Aquilo que tu crês ser é, apenas, um dos muitos «tu» projectados ao
longo do tempo e em vários lugares deste e de outros planetas, em universos que vocês ainda não desco-
briram. No entanto, nada disto minimiza aquilo que percebes como «tu»; pelo contrário, tu és um ser
imenso, multidimensional, uma magnífica expressão da Fonte, a qual, brilhante e amorosamente, traba-
lhaste, juntamente com outros, para que realizasse a função do ESPÍRITO.

   Em nenhum outro lugar, em nenhum planeta de qualquer universo, existiu uma criação como a
vossa!

   O simples fato de saberes que és parte integrante dessa façanha tão grandiosa deveria incrementar,
incomensuravelmente, o significado da tua vida.

   Na tua qualidade deste verdadeiro e surpreendente ser, decidiste que, devido a um propósito muito
especial, encarnarias neste planeta e neste emocionante momento da história. O resultado de tal decisão
é, evidentemente, o «tu» do qual estás consciente. Porém, não dês muita credibilidade a esse maravilhoso
ponto singular de consciência, focalizado no aqui e agora que é esse «tu». Se tivesses a mais simples no-
ção do processo através do qual existes, ficarias assombrado do poder que deténs. Portanto, trata de te
veres a ti mesmo como o ESPÍRITO gozando de uma experiência humana, e não o contrário.

Assim sendo, podes perguntar:

- Se, realmente, sou esse imenso ser, por que não sei que o sou nem o sinto de nenhuma forma?

   Bom, deixa de ler por um momento e trata de sentir o teu Ser maior como uma força suprema e impa-
rável, que a si mesma se infiltrou dentro da realidade da 3ª dimensão como uma gigantesca cunha de
energia, da qual, cada ser humano é a própria ponta dela. Aí, exactamente onde te encontras sentado
neste momento, procura sentir a intensa força energética que está por detrás de ti – uma coisa algo con-
fusa para a tua mente, é certo, mas que está cristalizada, com nitidez, no conjunto cor-
po/emoção/mente.

   Se fores incapaz de a sentir, imagina-a; o teu eu-espírito completará essa imaginação com esquemas,
sentimentos ou, somente, com o simples saber que assim é... tal como faz a cada momento, aliás!

   E, por favor, se crês nisto, não te fiques por aqui. A crença é a morte súbita da tua pesquisa da verda-
de: a partir do momento em que crês, deixas de procurar. Se não crês... não há problema! Mantém-te na
procura por outros caminhos até te encontrares com o teu verdadeiro Ser.

   Tu estás lá, à tua espera!

Mas retomemos a pergunta: Por que não conheço o eu-espírito que se supõe que eu seja?

Isto requer que façamos um pouco de História.

   Há muitíssimo tempo, antes da existência da História tal como a entendes agora, um certo número de
seres não-físicos - cada um dos quais é uma entidade imensa por natureza própria - decidiu colonizar um
planeta para realizar uma investigação em nome da Fonte. Um deles concordou em oferecer-se como
voluntário para representar a consciência do planeta e alguns outros ajudaram-no a densificar a sua ener-
gia por forma a que fosse descendo através das dimensões.

   Entretanto, outros seres desse grupo dedicaram-se a conceber as matrizes das prováveis e distintas
formas de vida que povoariam o planeta, ou seja, as matrizes que permaneceriam codificadas, quimica-
mente, naquilo a que chamas ADN.


   E, mediante sucessivos abaixamentos de frequência, durante milhões de milhões de anos, a consciência
planetária foi progressivamente irrompendo através da barreira de energia, na forma sólida que agora se
chama Planeta Terra.

   Ao longo de enormes períodos do teu tempo linear, estes seres criaram projecções de si mesmos com
energia de baixa frequência, ainda que nessa altura em nada se parecessem com algo físico. Gradualmen-
te experimentaram formas de frequência cada vez mais baixa, até produzirem o que aqueles que possuem
visão psíquica denominam formas astrais da 5º e da 4ª dimensões.

   Milhões de anos se passaram e vocês, na qualidade de um desses seres, levaram ainda mais longe as
experiências com o ADN, fazendo com que a energia se tornasse ainda mais densa dentro de ondas esta-
cionárias de energia, até conformar corpos quase-visíveis.

   Por fim, num extraordinário acto de criatividade, irromperam através da barreira dimensional e cria-
ram estruturas físicas de partículas subatómicas, os átomos e as moléculas, cobertas pelas ondas estacio-
nárias que também tinham concebido.

   Nessa altura, ainda podiam dissolver essas formas livremente, bem como criar outras novas.

   Assim se divertiram durante períodos incomensuráveis, sem que em qualquer momento se identificas-
sem com essas projecções físicas, cujo número ia aumentando. Vocês sabiam que esses corpos etéricos
eram os campos de energia que tinham criado e para dentro dos quais irradiavam energia... somente para
se divertirem!

   À medida que pretendiam ir mais longe, estas formas projectadas tornaram-se mais visíveis (no sentido
que hoje daríamos a este termo), mas ainda não havia consenso sobre a sua forma definitiva.

   Uma pausa para apreciar convenientemente a natureza brincalhona da Fonte, tratando sempre de
ser mais criativa e, assim, autoconhecer-se através do que pode fazer!

   A fim de desenvolver a experiência, decidiram então dar um passo muito atrevido: projectaram as
consciências para dentro dessas formas! Isto proporcionou as condições para que pudessem interagir
convosco mesmo de uma forma totalmente nova - uma forma impossível de alcançar dentro das frequên-
cias mais elevadas donde provinham e nas quais se reconheciam como sendo parte da Unidade.

   De seguida, permitiram que as consciências não só se projectassem, mas também passassem a residir
dentro dessas formas físicas, que cada vez se tornavam mais densas, durante lapsos de tempo cada vez
maiores.

   A consciência, agora, gozava de duas vantagens: a da 5ª dimensão (donde provinha) e a da 3ª dimen-
são, a do físico.

   Embora tivessem a capacidade de vibrar em cada uma destas formas, vocês mantinham-se totalmente
ao corrente da vossa origem, pelo que não existia qualquer percepção de separatividade entre elas.
   Esta grandiosa festa de auto-exploração era muito divertida!

   E novos campos de energia foram tentados. Por exemplo: vocês estabeleceram campos distintos para
explorar separadamente os pensamentos das emoções. E - mais importante ainda - proporcionaram às
vossas projecções uma autonomia quase total, dando-lhes a liberdade para serem entidades por si mes-
mas, por direito próprio.

   Esta divisão em dois «planos» proveitosos e simultâneos converteu-se num ponto crucial da História - o
que equivale a cerca de uns cem mil anos atrás.

   O estado de consciência de cada uma destas formas autónomas ainda tinha conhecimento da sua natu-
reza espiritual, pelo que a separatividade não era, sequer, uma forma de pensamento conceptível. Tal
construção mental não existia nesse tempo, (o planeta era, então, o bíblico Jardim do Éden), nem sequer
era possível porque se vocês se aborreciam de estar em determinada forma física na 3ª dimensão, limi-
tavam-se a desmantelá-la, faziam regressar as vossas consciências à 5ª dimensão e projectavam outra
forma nova!

    Então, em determinado momento da experiência, trocaram a projecção de energia pelo processo do
nascimento físico e determinaram uma forma básica do corpo para a espécie... a qual estava a densificar
rapidamente rumo à sua forma física.

    As vossas lendas estão repletas de memórias antigas de algumas das variedades de formas que precede-
ram esta estandardização.

    Durante milhares de anos, vocês, como ESPÍRITO, gradualmente foram ficando cada vez mais fasci-
nados com a intensidade das sensações possíveis nestas formas físicas, pelo que os campos emocionais
e mentais se foram centrando progressivamente nos planos mais baixos, em vez de no plano do espíri-
to!


   A intensidade e a riqueza da experiência emocional foi totalmente avassaladora. E as sensações, que
derivavam do facto de vocês estarem numa forma densa, passaram a ser extremamente sedutoras.
   A partir daqui, já conhecem a história: o nascimento do ego!

   Inicialmente, ainda tentaram que o eu-ego exterior actuasse como uma interface colectora de infor-
mação entre o plano físico e o plano dos eu-espírito... os quais continuariam a tomar as decisões sobre o
que era real e do que tinha de ser feito a cada momento. Mas, à medida que a experiência foi prosse-
guindo ao longo dos milhares de anos, o eu-ego, orientado para fora, começou a ter as suas próprias
ideias acerca da realidade e a recorrer cada vez menos... cada vez menos... ao eu-espírito, orientado
para o interior.

   O eu-ego exterior foi-se fortalecendo e a sua identidade começou a mudar desde os estados interiores
do ser para os estados exteriores. Como resultado desta mudança, o eu-ego começou a «colorir» o que ia
apercebendo e a julgá-lo como bom ou mau, de acordo com a sensação física. E foi assim que o eu-
espírito, orientado para o interior, começou a ser alimentado com informação «pré-digerida» pelo eu-ego!
   A sensibilidade emocional e mental do eu-ego, dirigida para o campo do eu-espírito, começou a mur-
char à medida que a energia do campo físico se convertia, cada vez mais, no ponto focal.

   Aqueles dois «pontos de vantagem» de estarem simultaneamente na 5ª e na 3ª dimensões,
converteram-se em pontos separados de consciência e o «ponto de vantagem» da frequência mais
baixa, orientado para o físico, perdeu de vista o «ponto de vantagem» espiritual.

    Durante alguns milhares de anos, esta brecha de percepção foi-se ampliando até que a forma do plano
mais baixo começou a duvidar da existência do plano mais elevado, ou a projectá-lo como se estivesse
fora de si mesmo, como se fosse um ser externo. Ou seja, vocês fraccionaram a percepção acerca de
quem eram e, em decorrência, surgiu o conceito de deuses, uma vez que os seres que agora compunham a
humanidade se haviam tornado incapazes de se relacionarem com os imensos e multidimensionais seres...
que eram eles mesmos na dimensão superior!

    A única maneira de se reconciliarem com a voz interior, isto é, com os impulsos do ESPÍRITO e com a
memória de serem muito mais do que um simples ser humano limitado, foi projectarem as vossas nature-
zas imensas, poderosas e plenamente amorosas sobre uns seres que, enquanto espécie, tinham criado para
tais fins. De facto, continuavam a receber mensagens e a sentir amor a partir do eu-espírito internos...
mas interpretavam-nas como se isso viesse dos deuses externos!

    Por fim, para cravar de vez a cunha da separação entre o Espírito e a personalidade, conceberam um
brilhante véu: a vergonha. Construíram as vibrações da vergonha dentro das células dos vossos corpos
e assim, finalmente, conseguiram o total sentimento de separação!

   O ESPÍRITO que sabiam ser converteu-se, pois, numa memória fantasma, facilmente apagada pela luz
rude das novas realidades. Então, passaram a reconhecer-se como uma personalidade, sem se apercebe-
rem que se tinham «amputado» do ESPÍRITO por terem perdido a consciência que faziam parte Dele.
Assim, pegaram nessa parte heróica e grandiosa de vós mesmos e, através das deidades fabricadas, con-
verteram-na em algo externo. E a vergonha tratou de assegurar que, aos olhos dessa deidade fabricada,
todos se vissem a si mesmos como seres «não merecedores».

   E, assim, ao longo do tempo, converteram-se em algo separado, exilados num invólucro de pele, procu-
rando externamente por um Universo que não podiam entender, presos no tempo e no espaço, e com uma
só saída: a morte.

   Toda a ajuda de que podiam dispor para resolver a questão limitava-se a um conjunto de respostas
aprendidas, denominado «personalidade»!


   Por favor, lembrem-se de que planearam tudo isto desde o início!

   Vocês, sendo um dos grupos de seres que empreenderam esta experiência, tinham decidido ver quão
longe poderiam chegar na capacidade de separar as percepções da vossa natureza, do ESPÍRITO puro.

   Foi precisa uma enorme engenhosidade para conceber e criar os véus que haveriam de separar as duas
dimensões, de tal maneira que encarnariam sem qualquer memória de quem eram. Um destes véus surgiu
quando o vosso espírito colectivo tomou uma decisão que haveria de afectar cada uma das encarnações ao
longo dos seguintes duzentos mil anos, e que alterou completamente a natureza, o propósito e o conteúdo
da vida humana neste planeta: vocês inventaram o karma!